Acerca de mim

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Eu, a Ana, o André e o Carlos começamos a configurar o nosso blogue de Estudo Acompanhado. A turma decidiu o título, o design, as cores e a apresentação do texto. O objectivo é retratar o trabalho desenvolvido na aula de E.A e mostrar a quantidade de sonhos, opiniões e acções levadas a cabo por cada um de nós. Estamos inseridos no PNL e temos por meta a leitura de obras que escolhemos na biblioteca da nossa escola. Até Breve

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Deu-la-Deu Martins (Monção)

Uma imagem de mulher, segurando um pão em cada mão do alto de uma torre, figura no brasão de Monção com a legenda: Deus a deu - Deus o há dado.

Esta é uma homenagem à coragem e astúcia de uma grande heroína, Deu-la-Deu Martins, mulher do capitão-mor de Monção, Vasco Gomes de Abreu. Esta mulher singular viveu no século XIV, no tempo das guerras entre D. Fernando de Portugal e D. Henrique de Castela.

Foi nesta conjuntura que o galego D. Pedro Rodriguez Sarmento pôs cerco a Monção com um poderoso exército, aproveitando a ausência temporária do seu capitão-mor. A vila aguentou o cerco sob o comando de Deu-la-Deu Martins, apesar da escassez de alimentos.

Mas a situação chegou a um ponto de desespero e foi então que Deu-la-Deu, com um sangue-frio notável, mandou fazer alguns pães da pouca farinha que restava. Deu-la-Deu subiu com os pães à muralha e atirou-os aos sitiantes, gritando-lhes que como abundavam as provisões na cidade e dada a duração do cerco, os galegos poderiam precisar de alimento.
O inimigo também estava cheio de fome e pensando que o cerco ainda poderia demorar mais tempo, decidiu retirar para Espanha. Este feito ficou para sempre na memória dos portugueses e deu origem ao costume de os vereadores do município se dirigirem ao túmulo de Deu-la-Deu, quando tomavam posse dos seus cargos, prestando-lhe homenagem.




Pedro Rafael Lucas 9B n18

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Gulosa

Fonte: http://www.minerva.uevora.pt/pre1ciclo/gulosa.htm
Era uma vez uma mulher que era casada com um pescador. Como era muito gulosa e má não fazia comida para o marido. Dava-lhe só pão com azeitonas. Mas, para ela fazia bons petiscos que comia sozinha.

E depois de os comer sentava-se numa cadeira, refastelada, e dizia:

Estende-te, perna,
Descansa corpinho,
Que lá anda no mar
Quem te há-de dar
Pão e vinho.
Quando o pescador vier,
Coma azeitonas se houver.


De facto, quando o marido chegava a casa, ela só lhe dava pão e azeitonas, que ela não comia dizendo que já tinha comido. Isto acontecia todos os dias e o pobre pescador lamentava-se da sua sorte. Andava ele desconfiado que a mulher comia às escondidas, quando um dia, indo para o mar, encontrou uma velhinha que lhe disse:

-Não te apoquentes mais que amanhã já comes melhor. Toma lá estas quatro bonecas e põe uma em cada canto da cozinha, mas que a tua mulher não veja.

Ele assim fez e abalou para o mar.

Preparava-se a mulher para comer os petiscos, quando ouviu:

 
( 1ª boneca ) - O que vai aquela mulher fazer?

 
( 2ª boneca ) - Ora ... vai comer !...

 
( 3ª boneca ) - Mas o marido não está em casa!

 
( 4ª boneca ) - Bem se importa ela com o marido! É uma gulosa!


A mulher, assustada, olhou mas não viu ninguém. Mais sossegada dispunha-se a comer quando ouviu novamente as mesmas vozes:

 ( 1ª boneca ) - O que vai aquela mulher fazer?
 ( 2ª boneca ) - Ora ... vai comer !...
 ( 3ª boneca ) - Mas o marido não está em casa!
 ( 4ª boneca ) - Bem se importa ela com o marido!
É uma gulosa!

 

Então cheia de medo saiu porta fora. Demorou-se por lá muito tempo, mas tendo fome voltou para casa. Ia mais uma vez tentar comer, logo ouviu as mesmas vozes. Assustada, resolveu esperar pelo marido para comerem juntos.

Ficou o pescador admirado com a mudança.

No dia seguinte, antes de sair para o mar, disse-lhe a mulher:

- Olha, vem cedo que eu tenho cá um bom jantarinho. E assim foi, e nunca mais ela comeu sem o marido.

Tempos depois foi o pescador à procura da velhinha, que era uma fada, entregou-lhe as bonecas e agradeceu-lhe muito o que lhe tinha feito, pois agora já era feliz.



Carlos Gonçalves nº5 9ºb

O SAPATEIRO POBRE

Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa e todo o santíssimo dia
cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita
pobreza, e à noite, enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da
viola e tocava os seus batuques muito contente.
Ora defronte do sapateiro morava um ricaço, que reparou naquele viver e
teve pelo sapateiro tal compaixão que Ihe mandou dar um saco de dinheiro,
porque o queria fazer feliz.
O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a
mulher para o contarem. Naquela noite, o pobre já não tocou viola. As
crianças, como andavam a brincar pela casa, faziam barulho e levaram-no a
errar na conta, e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como
nunca tinham feito quando estavam com mais fome. Dizia a mulher:
- E agora, que havemos nós de fazer a tanto dinheiro?
- Enterra-se!
- Perdemos-lhe o tino. É melhor metê-lo na arca.
- Mas podem roubá-lo! O melhor é pô-lo a render.
- Ora, isso é ser onzeneiro!
- Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a
oficina toda pintadinha.
- Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos.
Eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo.
- Nessa não caio eu.
- Pois o que me faz conta é ter terra. Tudo o mais é vento.
As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se,
atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro da outra,
naquela noite não pregaram olho.
O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança.
Por fim, o sapateiro disse à mulher:
- Sabes que mais? O dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era
ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela
pobreza que nos fazia amigos um do outro!
A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade
de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e
voltou para a sua tripeça a cantar e a trabalhar como de costume.

miguel lissewski n16 9B

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

     Conta a lenda que, uma vez um homem vinha dos lados do Fundão, transportando um saco de algodão, às costas.

     Chegando à margem esquerda do rio Zêzere precisou de o atravessar para o lado direito.
Ao atravessar o rio, molhou o saco de algodão sem dar pelo facto.
Quando chegou à margem direita, deu conta que o saco estava mais
pesado e disse:

     - Que peso!! Ainda agora era só um pesinho!

     E a partir daí, a localidade da margem esquerda ficou a chamar-se Pesinho e a da margem direita, ficou a chamar-se Peso.
 
Tiago Rodrigues Nº23 9ºB
Lendas de Covilhã

A Senhora do Retrato

     Os retratos a óleo fascinam-me. E ao mesmo tempo assustam-me. Sempre tive medo que as pessoas saíssem das molduras e começassem a passear pela casa. Para falar verdade, estou convencido que isso aconteceu algumas vezes. Em certas noites, quando eu era pequeno, ouvia passos abafados e tinha a sensação de que a casa ficava subitamente cheia de presenças. Ainda hoje não gosto de atravessar os longos corredores das velhas casas com grandes retratos pendurados nas paredes. Há olhos que nos seguem do alto e nunca se sabe o que de repente pode acontecer.
     Havia na casa da tia Hermengarda um quadro deslumbrante. Ficava ao cimo das escadas, à entrada do corredor que dava para os quartos de dormir. Mesmo assim, rodeado de sombras, irradiava uma luz que só podia vir de dentro da dama do retrato. Não sei se da blusa muito branca, se dos olhos, às vezes verdes, às vezes cinzentos. Não sei se do sorriso, às vezes alegre, às vezes triste. Eu parava muitas vezes em frente do retrato. Era talvez o único que não me assustava. Creio até que dele se desprendia uma luz benfazeja, que de certo modo me protegia.
     Mas havia um mistério. Ninguém me dizia quem era a senhora do retrato. Arminda, a criada velha, benzia-se quando passava diante do quadro. Às vezes fazia figas e estranhos sinais de esconjuração. A prima Luísa passava sem olhar.
     - Essa pergunta não se faz - disse-me um dia em que lhe perguntei quem era aquela senhora.
Percebi que não gostava dela e que era um assunto proibido. Até a minha mãe me ralhou e me pediu para nunca mais fazer tal pergunta. Mas eu não resistia. Por vezes descaía-me e dava comigo a perguntar quem era a senhora dos olhos verdes, quase cinzentos, que me sorria de dentro do retrato.
     Com a minha tia-avó, eu tinha uma relação especial. Ela lia-me histórias e poemas inquietantes. Creio que troçava das convenções, talvez das próprias pessoas. Por vezes era difícil saber quando estava a sério ou a brincar. Apesar de já ser muito velha, tinha um sentido agudo do ridículo. Foi a primeira pessoa verdadeiramente subversiva que conheci. Era óbvio que tinha um fraco por mim. Pelo menos era o único membro da família a quem ela tratava como um igual. Dormia no andar de baixo e nunca subia as escadas. Talvez por isso eu nunca lhe tinha perguntado quem era a senhora do retrato.
     Um dia, farto já de tanto mistério e ralhete e, sobretudo, das gaifonas da Arminda e do ar empertigado da prima Luísa, não me contive e perguntei-lhe. A minha tia sorriu. Depois levantou-se, pegou no molho de chaves que trazia preso à cintura, abriu uma gaveta da escrevaninha e tirou um álbum muito antigo. Voltou a sentar-se e lentamente começou a mostrar-me as fotografias. Eram quase todas da senhora do retrato e do meu primo Bernardo, que há muito tinha partido para a África do Sul.
     Apareciam juntos a cavalo e de bicicleta. E também de fato de banho, na praia da Costa Nova. Havia alguns em que o meu primo estava de smoking e ela de vestido de noite. Via-se também a tia Hermengarda, mais nova, por vezes os meus pais, gente que eu não conhecia. Até que chegámos à senhora do retrato já de branco vestida.
     - Natacha - murmurou a minha tia, com uma névoa nos olhos.
     E depois de um silêncio:
     - Ela chama-se Natália, mas eu gosto mais de Natacha, sempre a tratei assim. É preciso dizer que a tia Hermengarda tinha vivido em Moscovo no início da carreira diplomática do marido e era uma apaixonada dos autores russos, Pushkine, Dostoievski, principalmente Tolstoi, que visitou algumas vezes em Isnaia Poliana. Identificava-se com as personagens de Guerra e Paz. Creio que amava secretamente o príncipe André e gostava de ter sido Natacha. Falava muito da alma russa. Era uma propensão do seu espírito.



- Tu também tens alma russa - dizia-me. E era como se me tivesse armado cavaleiro.

Frederico Pinheiro Nº11 9ºB
Manuel Alegre
http://cvc.instituto-camoes.pt/contomes/16/entrada.html

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O SAPATEIRO POBRE


     Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa e todo o santíssimo dia 
cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita 
pobreza, e à noite, enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da 
viola e tocava os seus batuques muito contente. 
         Ora defronte do sapateiro morava um ricaço, que reparou naquele viver e 
teve pelo sapateiro tal compaixão que Ihe mandou dar um saco de dinheiro, 
porque o queria fazer feliz. 
     O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a 
mulher para o contarem. Naquela noite, o pobre já não tocou viola. As 
crianças, como andavam a brincar pela casa, faziam barulho e levaram-no a 
errar na conta, e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como 
nunca tinham feito quando estavam com mais fome. Dizia a mulher: 
- E agora, que havemos nós de fazer a tanto dinheiro? 
- Enterra-se! 
- Perdemos-lhe o tino. É melhor metê-lo na arca. 
- Mas podem roubá-lo! O melhor é pô-lo a render. 
- Ora, isso é ser onzeneiro! 
- Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado e depois arranjo a 
oficina toda pintadinha. 
- Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos. 
Eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo. 
- Nessa não caio eu. 
- Pois o que me faz conta é ter terra. Tudo o mais é vento. 
        As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, 
atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro da outra, 
naquela noite não pregaram olho. 
     O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança. 
Por fim, o sapateiro disse à mulher: 
- Sabes que mais? O dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era 
ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela 
pobreza que nos fazia amigos um do outro! 
      A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade 
de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e 
voltou para a sua tripeça a cantar e a trabalhar como de costume.


Júlio
 Nº14 9ºb

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os três amigos

Era uma vez três amigos que decidiram ir viajar pelo seu país fora, como na época em que esta história se passa não existiam carros tiveram que viajar a pé e durante vários dias.

O grupo de amigos era o seguinte, O Cacheira de Ferro, o mais inteligente e líder do grupo a alcunha é esta porque para qualquer lugar que ele vá leva sempre a sua cacheira, o Arranca Pinheiros, o mais forte, é lenhador tal como o seu pai dai a alcunha, e o Leite de Burra o mais fraquito do grupo que tem esta alcunha pois quando ele nasceu a mãe não tinha leite para o amamentar e tinha que lhe dar o leite que uma burra que a família tinha.

Num desses dias enquanto visitavam uma pequena aldeia decidiram ficar por lá durante alguns dias para a poderem conhecer melhor e visitar tudo o que tivesse algum interesse.

Perguntaram a um homem que encontraram no caminho se conhecia alguma casa que eles pudessem alugar para passar uns dias por lá.

O homem disse que tinha uma casa que lhes podia alugar, mas que estava assombrada.

Eles aceitaram, o Cacheira de Ferro disse que não havia problema nenhum com a assombração, que essas coisas não existem, o Arranca Pinheiros disse que eles não tinham medo e que se essa tal assombração aparecesse que ele estava lá para defender o grupo, já o Leite de Burra estava cheio de medo.

No primeiro dia em que ficaram na casa assombrada decidiram que o Leite de Burra ficava lá a cozinhar enquanto os outros dois iam dar uma volta pela terra e nos outros dias iam trocando que ficaria em casa.

Estava o Leite de Burra a fazer a sopa quando ouviu um barulho:
– Ai que eu caio, Ai que eu caio – Dizia uma voz vinda da chaminé.
Ele lembrou-se logo da assombração e disse muito assustado:
– Cai, mas não caias em cima da sopa.
Mas a assombração caiu e entornou a sopa toda, o Leite de Burra ficou ainda mais assustado e quando os dois amigos regressaram contou-lhe a história ainda a tremer.

Então no dia seguinte decidiram que quem ficavam em casa era o Arranca Pinheiros.

Estava ele a tratar do jantar quando ouviu um barulho:
– Ai que eu caio, Ai que eu caio – Dizia uma voz vinda da chaminé.
Confiante na sua força disse:
– Cai lá para veres o que te acontece.
Mais uma vez a assombração caiu e entornou toda a comida que ele tinha preparado para ele e os seus companheiros de viagem.
Quando os outros voltaram do passeio desse dia, estava o Arranca Pinheiros ainda a limpar a cozinha, contou-lhes o que se tinha passado e o Leite de Burra disse:
– Estão a ver! É melhor irmos embora desta terra e continuarmos a nossa viagem.

Mas o Cacheira de Ferro, que não é de ficar com medo, disse:
– Nem pensar! Amanhã fico cá eu e vamos ver se desta vez jantarmos!
Os outros, que estavam ainda meio amedrontados, disseram:
– Mas tem cuidado, esta assombração é mesmo perigosa.
– Não se preocupem – Disse o Cacheira de Ferro – Fico aqui bem protegido pela minha cacheira que já me ajudou muitas vezes.

No dia seguinte, estava o Cacheira de Ferro a preparar o jantar e lá voltou a voz da chaminé:
– Ai que eu caio, Ai que eu caio.
Ao que ele respondeu:
– Cai lá.
Quando a assombração caiu, o Cacheira de Ferro deu-lhe uma forte cacheirada que deixou a assombração ferida.

Quando os amigos voltaram do passeio ele contou-lhes o que se tinha passado e decidiram seguir o rasto que a assombração tinha deixado, pois estava ferida.

O rasto terminava num poço, que por ser de noite, eles não conseguiam ver o fundo. Foram ter com o dono da casa e pediram-lhe uma corda e uma sineta.

Quando voltaram para junto do poço o Cacheira de Ferro disse:
– Vamos lá ver que tipo de assombração é esta que fica ferida e foge para dentro de um poço. Leite de Burra, como és o mais levezinho és o primeiro a descer ao poço, quando estiveres com medo toca a sineta.
– Eu?! – Disse ele – Mas eu já estou com medo.
– Vá deixa-te disso – Disseram ou outros – Estamos aqui para te ajudar.
– Está bem – e atou a corda à cintura e começaram a desce-lo lentamente.

Pouco tempo depois começou a tocar a sineta, os outros puxaram-no rapidamente para cima.

– Então o que viste? – perguntou curioso o Cacheira de Ferro
– Nada, só moscas e mosquitos – respondeu o Leite de Burra
– Agora vou lá eu ver – disse o Arranca Pinheiros enquanto atava a corda à cintura.

Começaram a desce-lo e pouco tempo depois começou também ele a tocar a sineta, puxaram-no rapidamente para cima.

– Então? – perguntaram o Cacheira de Ferro e o Leite de Burra
– Nada, só moscas e mosquitos – respondeu ele.

Mais uma vez o Cacheira de Ferro, não desistiu e foi ele ver o que teria aquele poço.

Começaram a desce-lo e passados alguns metros, as moscas e mosquitos tinham desaparecido e ele conseguia ver agora um grande palácio.
Quando chegou ao fundo foi andando até à porta do palácio, foi então que viu uma linda princesa à janela, tão linda que ficou logo apaixonado.

– Ora viva bela princesa – disse ele para chama à atenção.
– Que fazes tu aqui? – disse ela com espanto.
– Vim pedi-la em casamento, pois assim que a vi fiquei completamente apaixonado.
– É melhor ires já embora antes que o grande guardião do palácio do poço aqui chega, senão, vais ter que lutar com ele.
– Não tenho medo, com a minha cacheira já derrotei muitos guardiões.
– Mas nesta luta não poderás usar a tua cacheira, será uma luta com espadas. Deves escolher a mais feia e ferrugenta já que é a única espada boa.

Ainda estavam eles a conversar quando chegou o grande guardião, quando o Cacheira de Ferro olhou para ele reconheceu-o logo.

– Então eras tu que nos andavas a assustar! Não existe nenhuma assombração.
– Queira que fossem embora para não nos chatearem, assim que o Joaquim vos alugou a casa fui lá para ver se vos mandava embora, mas já vi que não consegui, por isso vais ter que lutar comigo. Escolhe a tua espada.
– Quero a ferrugenta.
– O quê? Queres a ferrugenta, tens esta aqui limpinha e brilhante e escolhes a ferrugenta, queres perder a luta?
– Sim, quero a ferrugenta – Insistiu ele.

Começou então a luta, como o Cacheira de Ferro tinha a melhor espada conseguiu rapidamente derrotar o grande guardião. Quando a luta terminou a princesa saiu do palácio e correu para os braços do Cacheira de Ferro.

– És muito corajoso e aceito o teu pedido de casamento, graças a ti já não sou prisioneira deste terrível guardião, que não me deixava sair do palácio para nada.

Marcaram então o casamento para esse mesmo dia, a princesa mostrou ao Cacheira de Ferro a entrada secreta para o poço, ele foi lá a cima chamar os seus amigos para festa.

Desde esse dia nesta aldeia nunca mais se ouviu falar de assombrações, e no poço como estavam todos muitos felizes não se sabe se ainda lá estão hoje, pois todos os que tentaram entrar no poço só viram moscas e mosquitos.

Quem sabe se um dia alguém verá o palácio com a princesa, o Cacheira de Ferro e os seus grande amigos, Arranca Pinheiros e Leite de Burra.

Tiago Ribeiro , Nº21,  9B

As unhas do diabo

                    Em tempos que já lá vão, os sinos de Ponte de Lima começaram a tocar a finados pela morte de um célebre escrivão.


                 Pelas reacções da população que progressivamente ia recebendo a notícia, era claro que este desaparecimento não era lamentado, pois o escrivão não era modelo de virtude ou honestidade tendo lesado muitas famílias. Era mesmo sabido que o morto falsificava documentos e aceitava subornos que guardava numa arca escondida no sótão de sua casa.


                    Era do consenso geral que aquela alma não tinha salvação possível e duvidava-se mesmo se teria sequer direito a um enterro cristão. Estava instalada a polémica, quando os frades franciscanos do Convento de Santo António se ofereceram para o sepultar, o que veio a acontecer. Nesse mesmo dia à meia-noite, os franciscanos foram acordados por três sonoras argoladas na porta do convento. Do outro lado da porta, uma voz pedia-lhes para se reunirem na capela pois queria falar-lhes.


                      Quando abriram a porta, um vulto imponente e de olhar penetrante entrou. Os frades assustados reparam que apesar de estar muito bem vestido tinha um pés estranhos, chanfrados como os das cabras. O visitante dirigiu-se à capela onde estava sepultado o escrivão e parando à frente da sua sepultura, levantou a laje, retirou o corpo amortalhado e fez com que este vomitasse a hóstia que tinha na boca.


                       Transformando-se num vulto negro e temível, elevou-se no ar com o corpo do defunto e saiu por uma janela com um grande estrondo.


                   A comunidade correu para o adro, ainda a tempo de ver os dois corpos unirem-se num só e voarem pelos céus com uma risada diabólica, deixando atrás de si um rasto de cheiro a queimado.
Tiago carvalho 9b

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O azeiteiro e o burro

Dois estudantes encontraram, numa estrada, um azeiteiro com um burro carregado de bilhas de azeite. Os estudantes estavam sem dinheiro; por isso, decidiram roubar  o animal. Enquanto o pobre homem seguia o seu caminho,  um deles tirou a *cabeçada do burro e colocou-a no pescoço. O outro estudante fugiu com o animal e a carga. De repente, o azeiteiro olhou para trás e viu um rapaz em vez do burro.
Nesse momento, o estudante exclamou: «Ah! senhor, quanto lhe agradeço ter-me dado uma pancada na cabeça! *Quebrou-me o encanto que durante tantos anos me fez ser burro!...» O azeiteiro tirou o chapéu e disse-lhe: «Afinal, o meu burro estava enfeitiçado! Perdi o meu *ganha-pão! Peço-lhe muitos perdões por tê-lo maltratado tanta vez -  mas que quer? - o senhor era muito teimoso!»
-  Está perdoado, bom homem! - disse o estudante. O que lhe peço é que me deixe em paz.
O pobre azeiteiro lamentou-se porque já não podia vender o azeite. Então, foi pedir dinheiro a um compadre para ir à feira comprar outro burro. Quando lá chegou, viu um estudante a vender o seu burro. O azeiteiro pensou que o rapaz se tinha transformado, outra vez, num animal! Aproximou-se do burro e gritou com toda a força: «Olhe, senhor burro, quem o não conhecer que o compre».


Ricardo Sousa nº19 9ºb
O teste intermédio de Língua Portuguesa apresenta três grupos de itens.
No Grupo I, avaliam-se competências nos domínios da Leitura e da Escrita. Este grupo apresenta três
partes.
As partes A e B integram, cada uma, um texto que constitui o suporte de itens de selecção e de itens
de construção. Cotação: de 38 a 40 pontos.
A parte C integra um item de resposta extensa (de 70 a 120 palavras). Este item pode ter como
suporte o texto da parte A, o texto da parte B ou um outro texto. Cotação: de 10 a 12 pontos.
No Grupo II, avaliam-se competências no domínio do Conhecimento Explícito da Língua, através de
itens de selecção e de itens de construção. Cotação: 20 pontos.
O Grupo III, que permite avaliar competências no domínio da Escrita, é constituído por um item de
resposta extensa. Este item apresenta orientações no que respeita à tipologia textual, ao tema e à
extensão (de 180 a 240 palavras). Cotação: 30 pontos.

Os alunos não respondem no enunciado do teste. As respostas são registadas em folha própria do
estabelecimento de ensino em que é realizado o teste.
A grelha de classificação disponibilizada permite aceder a subtotais relativos aos domínios e às
competências avaliados. Pretende-se, desta forma, fornecer informação relevante aos docentes, para
que estes possam desenvolver estratégias de actuação específicas em cada domínio e competência.
Cumulativamente, a divulgação destes resultados, por domínio e competência, aos alunos pode
constituir um factor de regulação das suas aprendizagens.
Juntamente com a grelha de classificação, será disponibilizado um guião de análise de resultados.
Este guião fornecerá linhas de leitura que poderão orientar a interpretação dos resultados do teste. A
análise permitirá fundamentar tomadas de decisão para posterior intervenção didáctica.

MATERIAL

Os alunos apenas podem usar, como material de escrita, caneta ou esferográfica de tinta indelével,
azul ou preta.
Não é permitido o uso de dicionário.
Não é permitido o uso de corrector.
DURAÇÃO

O teste intermédio tem a duração de 90 minutos, não podendo a sua aplicação ultrapassar este limite
de tempo.

A) DOMÍNIOS E COMPETÊNCIAS

LEITURA E ESCRITA

  •  
CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA

  •  
ESCRITA

Conhecimento sistematizado da estrutura e do uso do Português padrão.
  •  
B) CONTEÚDOS

LEITURA ORIENTADA
CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA

 Texto narrativo;

  • Texto poético;
  •  

  • Texto dramático;

  • Outros textos.
    •  
    ESCRITA PARA APROPRIAÇÃO DE TÉCNICAS E DE MODELOS

    Texto;
  •  

  • Estrutura da frase;
  •  

  • Classes de palavras;

  • Relações entre palavras;
  •  

  • Processos de enriquecimento do léxico;
  •  

  • Modos de representação do discurso;
  •  

  • Pontuação;
  •  

  • Ortografia.
    •  
    Planificação, construção e apresentação de texto.
    Domínio do processo de escrita, no seu uso multifuncional.
    Reconstrução do significado de textos em função da relevância e da hierarquização das suas unidades informativas;
  •  

  • Avaliação do significado e da intencionalidade de mensagens em discursos variados;
  •  

  • Relacionação de textos com contextos de produção;
  •  

  • reconhecer usos figurativos;

  • Domínio de estratégias que permitem desfazer ambiguidades, deduzir sentidos implícitos e
  •  

  • Organização e correcção da expressão escrita.

    Os Três Conselhos.

         Um pobre rapaz tinha casado, e para arranjar a sua vida, logo ao fim do primeiro ano teve de ir servir uns patrões muito longe. Ele era assim bom homem, e pediu ao amo que lhe fosse guardando na mão o dinheiro das soldadas. Ao fim de uns quatro anos já tinha um par de moedas, que lhe chegava para comprar um eidico, e quis voltar para casa. O patrão disse-lhe:

    – Qual queres, três bons conselhos que te hão-de servir para toda a vida, ou o teu dinheiro?

    – Ele, o dinheiro é sangue, como diz o outro.

    – Mas podem roubar-to pelo caminho e matarem-te.

    – Pois então venham de lá os conselhos.

         Disse-lhe o patrão:

    – O primeiro conselho que te dou é que nunca te metas por atalho, podendo andar pela estrada real.

    – Cá me fica para meu governo.

    – O segundo, é que nunca pernoites em casa de homem velho casado com mulher nova. Agora o terceiro vem a ser: nunca te decidas pelas primeiras aparências.

         O rapaz guardou na memória os três conselhos, que representavam todas as suas soldadas; e quando se ia embora, a dona da casa deu-lhe um bolo para o caminho, se tivesse fome; mas que era melhor comê-lo em casa com a mulher, quando lá chegasse. Partiu o homenzinho do Senhor, e encontrou-se na estrada com uns almocreves que levavam uns machos com fazendas; foram-se acompanhando e contando a sua vida, e chegando lá a um ponto da estrada, disse um almocreve que cortava ali por uns atalhos, porque poupava meia hora de caminho. O rapaz foi batendo pela estrada real, e quando ia chegando a um povoado, viu vir o almocreve todo esbaforido sem os machos; tinham-no roubado e espancado na quelha. Disse o moço:

    – Já me valeu o primeiro conselho.

         Seguiu o seu caminho, e chegou já de noite a uma venda, onde foi beber uma pinga, e onde tencionava pernoitar; mas quando viu o taverneiro já homem entrado, e a mulher ainda frescalhuda, pagou e foi andando sempre, Quando chegou à vila, ia lá um reboliço; era que a Justiça andava em busca de um assassino que tinha fugido com a mulher do taverneiro que fora morto naquela noite. Disse o rapaz lá consigo:

    – Bem empregado dinheiro o que me levou o patrão por este conselho.

         E picou o passo, para ainda naquele dia chegar a casa. E lá chegou; quando se ia aproximando da porta, viu dentro de casa um homem, sentado ao lume com a sua mulher! A sua primeira ideia foi ir matar logo ali a ambos. Lembrou-se do conselho, e curtiu consigo a sua dor, e entrou muito fresco pela poria dentro. A mulher veio abraçá-lo, e disse:

    – Aqui está meu irmão, que chegou hoje mesmo do Brasil. Que dia! E tu também ao fim de quatro anos!

         Abraçaram-se todos muito contentes, e quando foi a ceia para a mesa, o marido vai a partir o bolo, e aparece-lhe dentro todo o dinheiro das suas soldadas. E por isso diz o outro, ainda há quem faça bem.
    Teófilo Braga

       Cℓάυdiα Gαndяα Nº7 9ºβ
    Atiro a porta mãe?


    Vivia um menino pobre, com sua mãe, nas últimas casas de uma aldeia.
    A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe:
    - Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas!
    O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar.
    Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar.
    O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora.
    Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido.
    Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar:
    -Fecha a po…o…orta…!!!
    -Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino.
    -Fecha a po…o…o…orta…!!!
    -Levo a porta, mãe…e…e?
    Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe.
    Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta.
    A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado.
    Então começaram:
    -Pataca a ti... pataca a mim…
    -Pataca a ti... pataca a mim…
    A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe:
    -Atiro a porta, mãe?
    A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava:
    -Atiro a porta, mãe?
    E atirou!
    Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram.
    Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira.

    Contos, Lendas e Mitos da Língua Portuguesa

    Bruna Silva Nº4  9º B